No dia 27 de março de 2006, este blog foi ao ar com o propósito de ser meu primeiro projeto sério na internet. Eu estava na web desde 2002, quando criei o Algo Sobre Tudo, que hoje descansa em paz em algum lugar. Foi ao ler entrevista de Edney Souza na Época, falando sobre seu Interney, que decidi erguer a lona deste Circo.
Já tinha ouvido falar de pessoas que vivam de seus blogs, ou que pelo menos tiravam uma graninha com eles. Com a ajuda de Amadeus Bocatios, antes webmaster, hoje fotógrafo, o Circo nasceu. Com anúncios AdSense e Mercado Livre e um domínio próprio, comecei a tatear em um novo mundo.
Nos primeiros dias, houve o escândalo que tirou Palocci do ministério da Fazenda e um sujeito bom de marketing tornou-se o primeiro astronauta brasileiro. Mas o novo blog não dava muito além do que o velho blog. O sucesso de uma página pessoal parecia uma lenda.
Mas veio o aniversário de 1 ano e com ela a segunda fase do blog. Nos primeiros 12 meses, a média foi de de 250 visitantes únicos por dia. Pouco para as ambições do blogueiro-palhaço – é, sou eu. Foi com Ale Rocha que as coisas começaram a mudar. Um novo Circo surgiu, conheci um mundo que tinha plugins, a tal sigla mágica SEO e otimização de anúncios.
Passei por todas as fases. A dos títulos apelativos, chamando para a nudez da gostosa da hora – agradeço a Ana Paula Oliveira e a Thammy Gretchen, especialmente –, a de tentar ser Mãe Dinah e prever o que vai bombar no futuro. Mas havia, em meio aos tais posts paraquedistas (agora é tudo junto?), bons textos. Experimentei tempos bons.
No auge, se é que dá pra chamar assim, o Estado de Circo teve média de 2,6 mil visitantes únicos por dia. Sempre se pagou e consegui um lucro razoável com ele, o bastante pra comprar umas besteiras de vez em quando.
Em 2007, começaram duas novas aventuras. O Oragoo, feito em parceria com o amigão Zé Antonio Lima, e o Esporte Fino, feito também com Zé e ainda Luiz Augusto Lima e Otavio Maia. Hoje são blogs bem sucedidos, consolidados.
Mas, conforme os novos blogs cresciam, tomavam espaço do Circo. Eu tinha pouco tempo para minha primeira criação. Olhava para o arquivo e já não me identificava mais com ele. O Estado de Circo foi meu ratinho de laboratório, me ensinou o pouco que sei sobre blogs. O pouco que pude passar a amigos que também entraram nessa onda. Em junho de 2009, o arquivo foi reiniciado. Uma tentativa de começar do zero.
Não deu certo. É como uma paixão que acaba e não vira amor. Não adianta fazer uma nova lua de mel ou ir a uma casa de suíngue para consertar o que está errado. Se acabou, acabou. E é disso que estou falando aqui. Do fim. É estranho dizer agora, quase 3 meses depois do último post, que acabou. É óbvio. Mas eu precisava dizer isso aos que ainda acessavam este espaço. O Estado de Circo oficialmente acaba hoje, 21 de julho de 2010, 4 anos e 4 meses depois de ter ido ao ar.
Continuo no Twitter, positivo, operante e assinando como @estadodecirco. Sigo mal humorado, ainda tenho 33 anos – até setembro – detesto ervilhas, couve-flor, adoro rock n roll e a minha guitarra. Mas este blog para por aqui. Eu deveria dizer pessoalmente muito obrigado a muita gente. Mas eu esqueceria alguém e me sentiria mal depois. Para simbolizar todos vocês, agradeço ao brother Ale Rocha, que tanto me ensinou e ensina sobre este mundo virtual. Continuo no Esporte Fino e no Oragoo. Se haverá um novo blog no futuro? É provável, eu não sossego. Mas não sei quando e nem onde.
Não estou me despedindo, porque continuo logo ali. Mas é um agradecimento e um adeus ao Circo, que hoje desce a lona e passa a viver na memória. Na minha memória. E espero que na dos muitos amigos, reais ou virtuais, que por aqui passaram nestes 52 meses. Dos que comentavam e dos que acompanharam em silêncio. Dos que riram, dos que choraram, dos que foram simpáticos ou mal educados. Agradeço a todos, porque com cada um aprendi um pouco mais sobre blogs, sobre o ser humano e até sobre a vida.
Respeitável público, acabou. Muito obrigado.

Christina Aguilera tem ótima voz. Suas músicas representam um pop dançante de qualidade. Mas “Not Myself Tonight”, primeiro single de Bionic, seu quinto disco de estúdio, deu origem a um clipe deslocado no tempo e no espaço.
O vídeo, que teve estreia mundial nesta sexta-feira, vem sendo divulgado aos poucos no site da cantora. Seu maior apelo é o conteúdo erótico. Christina é apertada por modelos seminus com corpos molhados, faz cenas sadomasoquitas com outra mulher, a quem chega a lamber a boca, fica de quatro, como uma gata – que, verdade seja dita, ela é. Mas tudo muito fora do tempo, em 3 minutos de puro clichê.
Quem é capaz de se chocar com algo que apenas emula a Madonna do fim dos anos 80 e início dos 90? O clipe de “Not Myself Tonight” bebe na fonte – ou no pires de leite – de “Justify My Love”, este sim um vídeo inovador para seu tempo, que consolidou aquela Madonna, como sex symbol e artista mais provocadora de sua geração.
Christina Aguilera, que em dezembro completa 30 anos, se comporta como a Madonna dos anos 90. Se veste como Madonna dos anos 90. Plágio visual e de conceito.
Qualquer adolescente nerd de 13 anos já viu na internet mais do que mostra Christina. Já vimos coisa parecida até em clipe de Britney Spears, até naquele célebre beijo na boca de Madonna durante um VMA – coincidentemente ou não, Christina, poucos se lembram, estava naquele mesmo palco. “Not Myself Tonight” é um erro. Tem cheiro de roupa guardada. De Déjà vu. Para um bom clipe, já não basta mais apenas uma cantora gostosa em situações eróticas.

Como pode ser alcançada a paz mundial? Ao tentar responder à pergunta, Homem de Ferro 2, que estreia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros, comete seu maior erro. A sequência do filme de 2008 é pretensiosa ao propor um debate profundo e, de forma óbvia, termina no mesmo lugar da maioria dos filmes de super-heróis: montes de piadas fáceis em meio a cenas de ação.
Robert Downey Jr. novamente interpreta o herói da Marvel em mais uma ótima atuação. As novidades em Homem de Ferro 2 são a entrada de Mickey Rourke, caricato no papel do vilão Whiplash; Samuel L. Jackson, que só apareceu nos créditos finais do primeiro filme, agora tem um papel maior como Nick Fury, o chefão da organização Shield; e Scarlett Johansson, como Viúva Negra, braço-direito de Fury. Gwyneth Paltrow é novamente Pepper Potts, a assistente do protagonista.
Em um período de paz mundial, Tony Stark, o vaidoso empresário que encarna o herói, luta contra um ambicioso concorrente para não entregar a armadura ao exército americano e, enfraquecido, luta até para sobreviver.
Não há, porém, preocupação em construir personagens, como no primeiro filme. Explosões e efeitos especiais são jogados no espectador entre uma piada e outra.
O diretor Jon Favreau, de novo à frente da franquia, e o roteirista Justin Theroux têm o tempo da comédia. As piadas funcionam, Homem de Ferro 2 faz rir. Mas tanto diretor quanto roteirista dão a impressão de que se envergonham de fazer entretenimento puro. Ao chamar o espectador a um debate profundo, perdem a mão de uma produção que poderia ser divertida se fosse apenas um ótimo passatempo.
Naquele ano de 2002 eu não dava a mínima para séries americanas. Mas, de alguma forma, um dia liguei a TV e me permiti ver por 5 minutos um sujeito loiro e com cabelo pintado de mais loiro ainda. Reconhecia o ator, e ali fui apresentado ao personagem. Seu nome era Jack Bauer.
Eu conheci 24 Horas depois do Jornal da Globo, com (boa) dublagem. E hoje, neste 26 de março de 2010, Jon Cassar, ex-produtor da série, anunciou o fim. Encerrada a oitava temporada, estará encerrado também o seriado. Não vamos ter mais Jack Bauer a nos defender, a defender o povo americano e o senhor (ou senhora) presidente.
Não foi uma surpresa. No ano passado, e mais recentemente no dia 15 de março, o brother Ale Rocha já avisava que o cancelamento era iminente. Bauer respirava por aparelhos por causa dos altos custos de produção e da audiência em queda – 24 Horas começou logo depois dos ataques de 11 de Setembro. Hoje, os métodos do agente interpretado por Kiefer Sutherland já não são tão bem vistos na “América”. É provável que ainda seja rodado um longa sobre a série. Mais provável ainda que Jack morra diante de nós, no cinema. Mas, na TV, acabou.
Graças a 24 Horas, que me mantive fiel ao ver dublado mesmo em DVD, conheci um novo mundo. Foi por ele que me permiti olhar para séries americanas e ver como elas podem ser bacanas. Me apaixonei por Lost, House, Family Guy, Californication e The Tudors. Vi tudo de Friends e Roma. Tenho em casa The Office, Fringe, Dexter e The Mentalist. E uma lista quase infinita do que quero ainda assistir e do que os amigos dizem que eu preciso assistir.
Graças a 24 Horas, presenciei um marco na história da televisão, uma série com ação em tempo real. Graças a 24 Horas acrescentei Elisha Cuthbert e Mary Lynn Rajskub ao seleto grupo de musas da minha vida. Nos últimos anos fiquei com a respiração presa incontáveis vezes, coração disparou e, sim, derramei algumas lágrimas. Quando tinha todos os capítulos em mãos, sumia do mundo por 2 ou 3 dias. Almoçava, comia e dormia 24 Horas.
E acabou. Quem é fã de Jack Bauer entenderá. De repente é como se eu olhasse para o relógio e os segundos corressem de forma silenciosa. Nenhum som. É o fim.


“Eu tinha 12 anos e queria ir ao Rock in Rio. Não, na verdade eu tinha uns 9 anos, mas achava que tinha 12. Vê se pode, uma criança querendo ir de ônibus para o Rio.”
Eram 9 da noite e autora da frase estava a 1 metro de mim, conversava com uma amiga e tinha o mesmo destino que eu: um show do A-Ha. Não qualquer show, mas o último show que o trio norueguês faria em São Paulo, já que a banda está fazendo sua turnê de despedida. Pelo menos é que dizem Morten Harket, Magne Furuholmen e Paul Waaktaar-Savoy.
A música mais nova do A-Ha que eu tinha na memória era “Move to Memphis”, de 1993. Vaga lembrança do clipe. Lá estávamos, a maioria de nós, para ouvir “Hunting High and Low”, “Take on Me”, “Cry Wolf”, “Stay on These Roads”, “The Living Daylights” e “Crying in the Rain”. Eu, e tantos outros, estávamos ali para nos despedir da adolescência.
O fim do A-Ha de certa forma torna oficial o fim da minha adolescência. Cada uma das seis músicas me remete a uma situação ainda clara, ainda que minha adolescência tenha ficado uns 15 anos para trás. Minha geração já faz dancinhas constrangedoras – eu não faço! – e já somos tiozinhos para quem lota o mesmo Credicard Hall para ver Fresno ou algum similar nacional ou gringo. Mas o A-Ha nos carregou de volta ao fim dos anos 80, ao início da década de 90.
O show foi fraco, eu sei. Uma banda que não soube aproveitar uma plateia que estava doida para se entregar. Um monte de músicas que boa parte daquelas milhares de pessoas não conhecia tomaram conta dos primeiros dois terços da apresentação de pouco menos de duas horas. Mas e daí? Estávamos lá para dizer adeus ao A-Ha, e tanto faz se hoje eles são incapazes de fazer um grande show.
Esperamos pacientemente até “Take on Me”, a última música do show. Lembramos, todos ou quase todos, do que significavam aquelas músicas. Houve quem chorasse. E eu entendo o motivo. Aquela, afinal, era uma página sendo virada nas nossas vidas.

Cenário simples, nada de pirotecnia, telões ou show de luzes. Um palco que provavelmente custa menos dinheiro que o de uma banda brasileira de porte grande. O que The Cranberries ofereceu ao público de São Paulo, na sexta-feira, foi música.
A banda irlandesa, que em agosto anunciou retorno aos palcos, depois de um hiato de sete anos, desembarcou no Brasil sem um disco novo. E isso, para seus fãs, boa parte deles adolescentes do fim da década de 90, foi uma vantagem. O que se viu (e ouviu) no Credicard Hall durante duas horas de show foi uma sequência de hits, muitos deles conhecidos mesmo para quem não tem a banda na estante ou no iPod.
A charmosa Dolores O’Riordan tem um magnetismo raro, cria uma rápida identidade com a plateia. Aos 38 anos, ela segue sendo a razão da banda, muito à frente dos pouco carismáticos Fergal Lawler (bateria) e dos irmãos Noel (guitarra) e Mike Hogan (baixo). É possível perdoar até o exagero nas conversas com a plateia entre as músicas e a auto-ajuda que prega insistentemente. “Vocês são bonitos do jeito que vocês são” ou “Lutem pelos seus sonhos, acreditem e conseguirão”. #LairRibeiroFeelings
Da abertura com “How”, do primeiro disco, até o encerramento, com o hit “Dreams”, foram 22 músicas, com as obrigatórias “Linger”, “Salvation” e “Zombie”. Houve a óbvia promessa de ter feito aqui o melhor show de todos os tempos da última semana e que voltarão em breve. Para delírio de uma plateia já dominada pelo carisma de Dolores.
A turnê sul-americana do Cranberries, que já passou por Santiago e Rio de Janeiro, segue amanhã para Belo Horizonte e, depois, para Porto Alegre, Buenos Aires, Lima, Quito e Caracas. E deixa, no Brasil, a ótima recordação de que um show vale especialmente pela música e não pelos milhões de dólares gastos na produção.
Foto: Divulgação/MRossi

Quarentão charmoso, profissional bem-sucedido, solteirão convicto e dono de um humor ácido. A descrição de Ryan Bingham se confunde com a de George Clooney, ator que dá vida ao personagem em Amor Sem Escalas, que estreia hoje e deve aparecer em várias categorias no Oscar deste ano.
Clooney, vencedor do Oscar por Syriana, é soberbo no papel de um profissional que passa quase todo o tempo em aviões e hotéis. Sua função é emblemática em tempos de crise: demitir funcionários de empresas que vão mal das pernas. Como o próprio personagem define: “Sou emprestado a covardes para demitir os funcionários deles”.
Ryan gosta do que a maioria detesta: passar 322 dias por ano em hotéis, esperar horas para embarcar. Sua ambição é conseguir 10 milhões de milhas no programa da American Airlines, o que dá direito permanente à classe executiva.
Este mundo perfeito do lobo solitário ameaça desmoronar quando uma jovem ambiciosa (Anna Kendrick) tenta implantar um sistema de demissão por webcam, acabando com a rotina de viagens. Ao mesmo tempo, Ryan inicia relacionamento com outra executiva (Vera Farmiga), que começa de forma casual, mas o faz repensar sua vida.
O trunfo de Amor Sem Escalas, além das ótimas interpretações do trio de protagonistas e da direção de Jason Reitman (Juno), é não cair em clichês de comédias românticas. É um filme de humor negro. E com um desenrolar que não subestima a inteligência do espectador.

Conhece a moça? Já foi namorada do Cristiano Ronaldo. Mas isso muitas outras já foram. Também foi namorada do atacante inglês Marcus Bent. Mas outras também devem ter sido. O fato engraçado que cerca Gemma Louise Atkinson, inglesa nascida em 1983, é que ela é apontada como filha de um sujeito improvável. O Mr. Bean.
Sim, é de causar choque. Como esta mulher pode ser filha de Rowan Atkinson? Na internet há discussões apaixonadas a respeito do assunto. Não há registro de fonte séria dando conta de que a moça é filha do ator mais estranho do mundo. Se for filha, não há registros de que seja adotada. Será, então, que o padeiro era bonitão? Porque não acredito em milagres.
When I get to the bottom I go back to the top (The Beatles – “Helter Skelter”)
É o último post do ano. Há um ano eu estava em Caraíva, litoral baiano. Acampado em meio a um trekking de 79 quilômetros que terminaria poucos dias depois, em Trancoso. Hoje estou em São Paulo, esperando a contagem regressiva.
Vou me lembrar de 2009 por causa da morte do Michael Jackson, dos recordes do Cesar Cielo, do fiasco do Palmeiras no Brasileirão. Vou me lembrar de 2009 por causa do Twitter, do ano em que deixei de ser editor de esportes para virar editor de cultura. Vou me lembrar de 2009 como o ano em que o Rio virou cidade olímpica, como o ano em que emagreci 5,8 quilos e que operei a orelha de abano que ninguém reparava. Vou me lembrar de 2009 como o ano em que participei do 1 Contra 100 e que a minha banda voltou à ativa para fazer um show sensacional no Café Paon.
A boa memória não está entre minhas qualidades. Eu teria de pesquisar muito se um dia fizesse uma autobiografia. Não me recordo direito o que estou deixando para trás neste ano. Me lembro dos discos remasterizados dos Beatles, me lembro de brigas, de declarações de amor, do tesão, das tristezas e das alegrias.
No armário da vida, não sei em que gaveta 2009 se encaixou. Mas chegar ao último dia do ano pronto para celebrar mais 365 dias que virão é especial. Hoje é meu 33º último dia do ano. No fim das contas, é apenas mais um dia. Mas é um dia tão bem feito que parece que zeramos tudo para nascer outra vez – especialmente aquele que ganhar na Mega-Sena hoje. Então nos vemos em 2010. Feliz ano novo.