A lembrança que a Portuguesa deixou
Publicado por Rodrigo Borges em Maio 31, 2006
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Foi meu primeiro time de botão. E só um garoto de 7 ou 8 anos sabe o que isso significa. Era de um vermelho intenso que me fascinava, com uma tarja verde cruzando cada jogador. E, no meio, a cruz do escudo e os números.
Na fase em que mais gostei de futebol, a Portuguesa sempre esteve no meu caminho. Nas tabelas da Placar, no velho time de botão, em jogos difíceis pelo extinto Campeonato Paulista - isso que se joga hoje é outra coisa. Nunca vi a Portuguesa campeã, mas sempre a temi nos domingos de sol. Era um time chato, revelador de um monte de bons moleques, como o Dener.
A Portuguesa, esta que faz parte de uma parte importante da minha infância, não existe mais. Por inúmeros motivos, o maior deles a incompetência dos que mandaram - e mandam - no Canindé, a Lusa acabou. Morta. Em 2002 caiu para a Série B do Brasileiro, não voltou mais. Este ano, caiu para a Série A2 do campeonato estadual, sendo que Série A2 é segunda divisão, mesmo, e caminha a passos largos - e passes errados - para a Série C do Brasileiro. Terceira divisão, mesmo, no popular.
Se cair, não volta. Ou volta por um milagre, uma coincidência ou um acaso, como aparecer um novo Dener. Voltar por méritos, não volta. Aquele time simpático, o segundo time de todos nós, paulistanos, tomou de 6 a 2 do Paysandu. Em casa. Virou um faz-me-rir, um cone, um nada. A Portuguesa deixou de existir, virou lembrança de velhos volantes da Loteria Esportiva, das tabelas da Placar, de uma final do Campeonato Paulista de 1985, contra o São Paulo, de uma final do Brasileiro de 1996, contra o Grêmio.
A Portuguesa acabou e é assim que prefiro me lembrar daquele time. Do vermelho brilhante do meu time de botão. Das lembranças de infância. Porque isso que se vê hoje é uma falta de respeito com as minhas lembranças. E a Portuguesa, mesmo que nunca tenha sido uma grande campeã, é maior que isso aí.



