Honestamente, estou com preguiça. É ano de eleições, vai ser a baixaria de sempre, acusações de lado a lado, um querendo dizer que fez mais que o outro – e ambos fizeram quase nada –, um apontando o dedo na cara do outro, quando na verdade nós é que deveríamos apontar vários dedos nas caras deles.
Estou com preguiça de agüentar o magrelo calvo e sem carisma tentando fazer voz firme e vomitando estatísticas ridículas e sem importância, assim como estou com preguiça de ver o gorducho barbudo e fanfarrão querendo nos convencer de que fez uma maravilha de governo e que a corrupção foi combatida.
Estou com preguiça de ouvir os termos mofados da senadora, de uma esquerda que já morreu, mas não foi enterrada. De uma mulher digna, mas que está perdida no tempo e no espaço. Estou com preguiça do idealista que tem boas idéias a dizer, mas nenhum talento para governar. Estou com preguiça da meia dúzia de oportunistas que a eles se juntarão para pedir nosso voto.
Estou com preguiça inclusive de atualizar este blog. E, sendo assim, vou dormir. Boa noite.
Como se vê, a dor de garganta melhorou bastante. Opero neste momento com 60% da capacidade, o que já impede aquele mau humor característico da gripe.
Fiz uma conta rápida. Devo engolir cerca de quatro vezes por minuto. São 240 vezes por hora e, sendo assim, 5.760 vezes por dia. É impossível sentir a mesma dor mais de 5 mil vezes em um mísero dia e manter o humor.
Aí vêm as receitas. Alho, limão, vinagre, sal, açucar, mel, própolis, hortelã, cogumelo, asa de mosca, pó de chifre de bisão do Quênia e por aí vai. O dia que alguém fizer um chá misturando todas estas receitas naturais terá encontrado a cura para a gripe. Acho que ninguém pensou nisso antes.
– Faça gargarejo
– Já fiz, com sal e limão
– Ah, não. Bom é com alho, couve e azeite
É uma salada. Fazer gargarejo com uma salada deve ser uma droga. Afinal de contas, salada já é uma droga.
Estou fazendo gargarejo com Listerine, mesmo, o médico que mandou. E funciona. Junto com Allegra e Arcoxia. E viva o fim de semana que se aproxima, a melhor das receitas para ficar bem. A não ser que eu lembre que domingo eu estou de plantão.
Quando você está atrasado, o mundo conspira contra você. A caminho do trabalho, com o combustível no fim, tive de parar porque não aguento aquela maldita luzinha acesa no painel.
– Põe 50 de álcool, por favor
– Álcool?
– É, álcool
Acho que fui claro. Me enganei.
– Você pediu álcool, né?
– É, pedi
– Mas na tampa do tanque está escrito gasolina
– Pode colocar álcool, eu me responsabilizo
Saí do carro para ver a tampa.
– Olha aqui, gasolina
– Sim, gasolina/álcool. Tanto faz
– É, mas tinha gasolina…
Me pergunto que diabo de frentista não conhece um carro flex.
– Pronto, ficou 50 reais
Ah, não diga. Perceba a coincidência. Eu pedi 50 reais de combustível e saiu 50 reais a conta. Impressionante. Entreguei meu cartão de crédito para a moça da loja de conveniência.
– Não autorizou
Tentou de novo. E de novo. Bem, na terceira vez funcionou.
– Foram 50 reais de combustível?
– Isso, 50 de gasolina
Ouço uma voz
– Mas não era álcool?
Sim, era o frentista.
1974 - 3 x 0 Zaire
1986 - 1 x 0 Argélia
1994 - 3 x 0 Camarões
1998 - 3 x 0 Marrocos
Hoje? Sei não.
Atualização: o Brasil venceu por 3 a 0 (leia aqui)
Em 2010 vão colocar a Holanda na lista de candidatos ao título da Copa. O erro de sempre. Bem, isso se ela for à Copa, claro (leia aqui).
Eu queria muito escrever sobre a maravilhosa vitória de Portugal sobre os eternos fracassados holandeses. Aliás, nunca entendi tamanha badalação em cima de uma seleção cujo maior feito na história resultou em um vice-campeonato e que há muito sequer joga bonito. A Holanda é a Portuguesa que não deu certo (leia aqui).
Mas, sobre Portugal, roubo aqui um trecho de um texto do grande Menon. É exatamente o que eu penso.
A vitória de Portugal de Felipão foi emocionante e maravilhosa. Como o time se agrupou quando tinha um a menos, como lutou para manter o resultado! Aquilo é um grupo de gente determinada a vencer. Outro dia, o Filipe Caetano, que escreveu aí embaixo, desolado, disse que depois de perder a Eurocopa em casa para a Grécia, Portugal jamais ganharia coisa nenhuma. E eu tenho dúvidas.
A Holanda sempre seria favorita contra Portugal. Não o será mais. A vitória de Portugal eleva o time. Sobe um degrau. Por isso, foi mais do que uma vitória. Foi um rito de passagem. Portugal agora é grande.
Ou, como disse meu amigo Maurício Fonseca: “Meu irmão, ninguém mais passa a mão na bunda de Portugal, não”. Acho que Felipão gostaria desse poder de síntese.
E a frase do dia, pra encerrar. O repórter holandês pergunta sobre agressão de Figo contra um dos amarelos, digo, laranjas.
“O Figo não é Jesus Cristo pra oferecer a outra face”
Felipão é gênio.
Vivia com sono, o moleque. Dormia na aula, em casa, em qualquer canto em que pudesse encostar. Cresceu. E virou porteiro.
Venham de camisa no domingo, avisou o diretor de redação. Era dia de tirar fotos, toda coluna ou artigo publicado no jornal terá a foto do autor. Coloquei a camisa branca e lá fui eu. É só uma foto.
Sua vez, Rodrigo. Fui até o local onde estavam tirando as fotos e esperava o básico. Dei de cara com algo próximo de um estúdio fotográfico. Equipamento profissional, iluminação profissional, fotógrafa profissional. Modelo amador.
Primeiro de frente, aí, isso. Você escreve sobre esporte? Isso, esporte e também saúde. Então vamos fazer umas fotos mais descontraídas, ela sugeriu. Beleza, lá fomos nós, umas dezenas de fotos de frente, outras dezenas meio de lado, sorrindo, sério.
Minha estréia como modelo e eu achando que seria só uma fotinho meia boca tirada numa máquina amadora. Me diverti, confesso. Mas enche o saco, devo confessar também. Foram 20 minutos e a fotógrafa era bem bacana, mas pareceu uma eternidade. Como alguém pode viver de ser fotografado?
Já foi. Minha curta carreira de modelo começou 15h10 e terminou 15h30, felizmente. Ou não.
O clichê mais verdadeiro do mundo mais uma vez faz todo sentido. O México jogou como nunca e perdeu como sempre (leia aqui).
Galvão, o mito, disse 9 vezes durante Argentina x México que “agora, perdeu volta pra casa”. Três delas em dez minutos. Disse 4 vezes que, se o Brasil chegar nas semifinais (”e a gente espera que chegue”), pegará Inglaterra, Equador, Portugal ou Holanda.