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Hamburg ou Hamburgo?

Fila do estacionamento, mãe e filho conversam.

– Mãe, onde fica Ham…burg?
– É Hamburgo, filho
– Mas aqui tá escrito Hamburg, olha. Hammm…burg!
– Eu sei, mas em português fala Hamburgo
– Mas por que no álbum está Hamburg, olha?
– Eu vi, é que não está em português
– Mas se vende no Brasil por que não está em português?
– Porque vende em outros países também
– Quals
(sic) países?
– Não é quals, é quais, filho
– Mas eu que perguntei quals
(sic)
– Não se fala “quals”, se fala “quais”
– Ah… E onde vende?
– Não sei, acho que em todos países da Copa
– Então tem menino de Angola que tem álbum que nem o meu?
– Acho que sim
– E na Serva
(sic)?
– Também. E em Portugal e todos os outros
– Noooooossa…

(breve pausa)

– Ô mãe, qual é a capital de Berlin?

Ronaldo acorda e Brasil vence o Japão

Agora ele é genial outra vez. Ronaldo é o maior. Não importa o peso, ele é fantástico. Aqueles que lhe atiravam pedras e o xingavam, agora dizem que sempre foram seus defensores.

Eu fui um defensor. Defendi a saída de Ronaldo do time. Achava necessário preservar um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Não acreditava mais.

Contra o Japão, Ronaldo lembrou ao mundo que é um gênio do esporte. E não importa, para este tipo de gente, se está acima do peso, sem ritmo, com frieira ou caspa. Um gênio desequilibra.

Foi assim ontem. Uma aula a todos nós de que gênios não acabam, adormecem. E o sono de Ronaldo é leve. Muito leve (leia aqui).

Forte, ainda que sozinho

Há uma hora em que todos resolvemos caminhar sozinhos. Sem mãe e sem pai para segurar a bicicleta. Sem namorada para segurar a barra. Sem amigos para ouvir queixas. Há momentos em que a gente se refugia para andar sozinho, para aprender a caminhar sem as rodinhas da bicicleta. Para ser mais forte.

E quando se passa por este momento, estar ou não sozinho é uma escolha, e não mais de necessidade. Se estou rodeado de pessoas não é para usá-las como muleta, é para caminhar ao lado delas. Para rir, chorar, contar piadas, falar e ouvir.

Estar sozinho é enxergar as próprias forças. E, se elas não existem, basta criar. E poucas coisas são mais intensas do que descobrir o desconhecido. Enxergar em si um forte. Um bravo.

Tempo e espaço

O tempo é relativo. Foi alguém famoso que disse isso? Se não, me aproprio da afirmação. O tempo é relativo quando você percebe que vive anos que parecem minutos, dias que parecem anos ou meses que parecem… Bom, que parecem meses, mesmo.

O tempo é relativo quando você percebe que ele é sempre intenso. Quando você erra com intensidade, acerta com intensidade e vive com intensidade. Quando você olha no espelho e apesar dos receios, das dúvidas e das incertezas ainda sorri e vê que a intensidade dos fatos atropelam os próprios fatos.

O tempo é relativo e quase sempre o seu tempo não corre no mesmo ritmo de quem está ao seu lado, perto ou longe. O tempo é relativo, mas o aprendizado que ele traz é definitivo. É certo.

Letras dos hinos nacionais

A Globo enche o saco em grandes coberturas, mas às vezes acerta. Esse negócio de colocar a tradução dos hinos, embora nem seja uma novidade, é interessante.

É engraçado como alguns hinos parecem não ter sido feitos para o país em questão. O da Costa do Marfim fala em coisas como liberdade, paz e esperança de um povo. Um país que seria simpático, como são os africanos, não fosse um lugar onde crianças se envolvem numa guerra civil e são mutiladas.

Mas uma leitura atenta às letras dos hinos me faz crer que foi o mesmo cara que escreveu todas. “Avante, ó filhos da pátria”. Todo hino tem esta chamada, com sutis variações. Normalmente os filhos da pátria são chamados para a guerra. Para defender o país, sangrar o invasor, dar um pé no traseiro dos inimigos.

O tal “avante, ó filhos da pátria” está para hinos nacionais assim como Maurício de Nassau e as caravelas estão para um samba-enredo. Acho que já falei sobre isso. Não existe um bom samba que não tenha a chegada de caravelas e uma citação a Nassau, que incrivelmente acaba atravessando a Sapucaí.

E lá vão os filhos da pátria - cuidado com esta frase. Alguns, para as oitavas-de-final. Outros, como a citada Costa do Marfim e sua irmã americana, a Costa Rica - que nem é mais tão rica assim, aliás, avançam de volta para casa, mesmo. Mas o importante é avançar. Então, avante, ó filhos da pátria.

Eu não tenho irmãos argentinos

Será que os queridos colegas jornalistas não conhecem nenhum outro sinônimo para argentinos que não seja nossos hermanos?

Salve a seleção

O quadrado, diziam em seu país, era mágico. Quando foi enfrentar o resto do mundo, porém, só maltratou a redonda.

Luís Roberto e a mensagem secreta

Nívea Maria, Preta Gil, Robson Caetano e outras estrelas dançando forró no Domingão do Faustão. Logo após França x Coréia do Sul.

Gosto do Luís Roberto como narrador e depois desta já o considero um amigo. É uma senha. acabou o jogo, desligue a TV – porque no domingo não adianta mudar de canal, mesmo.

O fim do mundo no fim de semana

Aquecimento global
Os sinais do apocalipse

A Veja (aquela) agora resolveu decretar o fim do mundo. Na semana que vem vai garantir, sem provas, que Lula e o PT deslocaram verbas do caixa 2 para derreter as calotas polares.

Copa do Mundo no cabeleireiro

TV CCE ligada. Itália 1 x 1 EUA, 30 do segundo tempo.

– Os Estados Unidos ganharam?
– Não, perderam pra Portugal, 3 a 0

Passo meu primeiro momento de nervoso.

– Mas não ia jogar com a Tchecoeslováquia (sic)?
– Não, jogou com Portugal, Felipão ganhou

Eles não olham pra TV?, penso.

– E Portugal classificou?
– Não, vai jogar com um africano.

Não agüento.

– Estados Unidos estão jogando, está na TV. Portugal está em outro grupo e se classificou, ganhou do Irã. Agora joga com o México.

(silêncio)

– Ah, é! A Tchecoeslováquia (sic de novo) joga com a Argentina.

Desisto.

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