Ana Paula Arósio vai perder o bebê em novela. James Bond continuará loiro no 22º filme de 007. Band transmite Miss Universo neste domingo, ao vivo. Pâmela Ânderson vira boneca inflável. Tudo isso enquanto Israel convoca reservistas para massacrar mais civis no sul do Líbano (leia aqui).
Tenho simpatia pelos africanos. Adoro o continente, fico comovido com as histórias terríveis de fome, miséria e doenças. Sou um apaixonado pelas paisagens, pela diversidade da fauna, pelos desertos e pelas savanas.
Pois os sul-africanos querem levar o Parreira pra treinar a seleção, que vai jogar em casa a Copa de 2010. É hora de evitar mais uma desgraça em um continente tão sofrido. Clique aqui, envie um e-mail de alerta e ajude na campanha “Ninguém merece o Parreira”.
Adoro a parte dos telejornais que mostra o dia dos presidenciáveis. As emissoras, a Globo, em especial, fazem de conta que são imparciais e lá vão atrás dos nanicos. Deve ser castigo pra repórter.
- Amanhã você vai cobrir o Eymael
- Ah, não! Tudo menos isso
- Tá bom, então vai fazer o Pimenta
- (…)
Mas se prestarmos atenção nos nanicos sempre é possível tirar algo de interessante. Ou patético. Há pouco, no Jornal da Globo, Luciano Bivar, do grande PSL, falou de impostos. Do fim dos impostos.
- No meu governo ninguém vai fazer declaração de imposto de renda. Nenhuma empresa vai pagar PIS, Cofins ou ICMS. Vamos trazer milhares de empresas que estão na informalidade para a formalidade
Mas vejam só. Bivar será eleito e acabará com os impostos. Isso sim é uma proposta sólida. Sólida feito um negócio que o cachorro da vizinha faz na garagem todos os dias.
Virou um espetáculo de mídia. Um julgamento transformado em reality show, bem apropriadamente estampou em manchete nesta semana o jornal Destak.
Suzane, irmãos Cravinhos, promotores e advogados vaidosos, que adoram um microfone, acusações exaltadas e reacionárias, defesas apaixonadas e exageradas. Tudo fora de medida, tudo sem a tranqüilidade necessária para se falar de alguma coisa tão delicada.
Estamos falando de pessoas. Não é um filme de tribunal nem é o julgamento que prende o telespectador na última semana da novela. São assassinos confessos, são vítimas como o filho que ficou sem os pais por causa de um ato de insanidade da irmã, são lágrimas da mãe que depõe. É real, tudo é real.
Mas a mídia está transformando tudo em circo. Perdeu a capacidade de informar para usar a capacidade de entreter, prender e fazer suspense. Felizes daqueles que ainda usam o bom senso e sabem o valor do jornalismo. São poucos que conseguem informar, a maioria prefere o show. E quanto vale o show?
Publicado por Rodrigo Borges em Julho 19, 2006 1 Comentário
De: Promessa On Line
Enviado: terça-feira, 19 de julho de 2006 01:22:04
Assunto: É MARAVILHOSO PEDIR E SER ATENDIDA
Óh, Santo Expedito, à vós agradeço, pois sei que em tuas mãos, a solução dos nossos problemas já está. Em vós confio que ainda hodie, a definição a nós virá! Amém ! Sueli ASF.
Um spam divino, era o que faltava no fabuloso mundo do lixo eletrônico. Agora, se eu fosse o Santo Expedito recomendava a ida dessa Sueli pro inferno. Por entupir a caixa de e-mail dos outros e por causa dos erros de português. Aliás, o que é “hodie”?
Todos os dias ela está na mesma esquina. Cabelos cacheados, colo nu, sorriso generoso, algo doce. Tem uns 25 anos e todos os dias nos olhamos. É impossível não olhar, é impossível tirar os olhos daqueles olhos, daquele rosto, daquele jeito de quem sabe que é capaz de conquistar com um olhar e um sorriso.
Sempre imaginei o que ela fazia ali todos os dias, passo tarde e ali está ela, faça frio, faça sol. Olhos, sorriso, boca, cabelos. Uma mulher que não cabe em uma casa, talvez por isso precise ficar em uma esquina de uma avenida de grande movimento, em frente a uma concessionária de carros de luxo.
Carrega uma pequena bolsa, usa óculos discretos, tem um ar inteligente por trás daquelas lentes. Calça jeans, sandálias de salto, combinação irresistível. A barriga aparece muito discretamente, mais discretamente que o colo branco.
E um dia ela desaparece. Foi ontem. Não sei o que aconteceu, mas no lugar dela estava um biscoito de chocolate. E agora eu não sei pra onde levaram a moça do outdoor.
Aguentei por uns cinco minutos. Vi Regina Duarte com cara de traída, alguns momentos de bossa nova, imagens do calçadão, Leblon, propaganda forçada de eventos culturais, um galã de meia-idade metido a garanhão, uma abertura óbvia e tudo, absolutamente tudo com cara de (não) vale a pena ver de novo.
É mais uma do Manoel Carlos. Vou estar dispensando a nível de novela, obrigado. Espero que a próxima não seja da Glória Perez.