“Ele morreu” – ou um relato sobre a morte de Freddie
Publicado por Rodrigo Borges em Novembro 24, 2006
Faz 15 anos. Acho que não é original começar assim. Mas o fato é que faz 15 anos. E eu não sabia nada de rock, mas gostava. Havia uma prova naquele dia, e eu provavelmente tirei algo entre zero e três, ou zero-vírgula-três, porque foi assim naquele ano todo. E saí da sala. E alguém disse “ele morreu”. E pronto.
Ele morreu. Porra, como assim, o cara anuncia que está com o HIV e morre no dia seguinte? Não rola um tempo pra assimilar a notícia? O Cazuza demorou um tempão. Eu adoro “Bohemian Rapsody” e nunca vou poder vê-la ao vivo, é isso? Ainda nem tirei uma música do Queen na guitarra e o Freddie Mercury morreu. Porra, e que merda de vida é essa?
Tudo com intensidade e em segundos passando pela minha cabeça, como convém a um adolescente de 15 anos. A voz mais espetacular que eu já tinha ouvido, o mais incrível cantor de rock morrera sem que eu conhecesse direito sua obra. Mas sabia cantar meia dúzia de refrões graças à Bizz Letras Traduzidas, que morreu tempos depois. O Queen não existe mais – aquele Queen, quero dizer – porque Freddie passou voando por este mundo. Tem gente que passa assim mesmo, a jato.
Hoje eu já sei quem foi o multimilionário Freddie Mercury, como disse o Pedro Bial no Jornal Nacional daquele dia. O que significou o Queen para o rock. Naquele 1991 eu repeti de ano. Bombei o primeiro colegial, que, acho, hoje chamam de ensino médio. E nunca vou me esquecer disso, assim como jamais esquecerei “ele morreu”. E nem do choro no quarto.

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Se alguén falar mau do queen vai se ver comigo