O triste fim de Paraíso Tropical: Gilberto Braga ficou careta depois de Vale Tudo ou os caretas somos nós?
Publicado por Rodrigo Borges em Setembro 29, 2007
No dia 6 de janeiro de 1989, último capítulo de Vale Tudo, o Brasil grudou os olhos na TV para saber quem, afinal, havia assassinado Odete Roitman. A resposta foi surpreendente. Por engano, Leila (Cássia Kiss) atirou na poderosa empresária acreditando que estava acertando Maria de Fátima, amante de Marco Aurélio Catanhede (Reginaldo Faria).
Leila e Marco Aurélio fugiram do Brasil e ficou famosa a cena em que o vice-presidente da empresa de aviação TCA dá uma banana ao Brasil da janela do avião. A novela de Gilberto Braga registrou 68 pontos de média e 86% dos televisores ligados no horário do capítulo final sintonizavam a TV Globo. Marcas jamais igualadas desde aquele dia.
Paraíso Tropical, do mesmo Gilberto Braga, chegou ao fim ontem e deu aos telespectadores a mais óbvia das respostas. Olavo (Wagner Moura) matou Taís (Alessandra Negrini). Olavo, o sujeito mau, o bandido, o mau caráter. Assassinou a gêmea má – que, claro, tinha uma irmã boazinha – e morreu com um tiro no peito dado por Ivan, que não era seu irmãozinho bastardo, mas o filho sem pêlos do milionário Antenor (Tony Ramos). Antes do suspiro final, acertou o personagem de Bruno Gagliasso, que também bateu as botas (veja vídeo acima).
O que mudou em 19 anos, os autores ou nós, os telespectadores? As novelas não surpreendem mais, os autores são incapazes de produzir finais criativos. A Maggi, aquela do caldo de galinha, chegou a fazer um bolão no fim de Vale Tudo. Um concurso para adivinhar quem matou Odete Roitman. Hoje, teria sido um fiasco. Quantos não teriam apostado em Olavo?
Pesquisas de opinião cada vez mais ditam o destino de personagens e da própria trama das novelas. Autores, embora neguem, são orientados para dar ao povo o que o povo quer ver. Então somos nós que estamos ficando caretas? Ou apenas continuamos caretas e os autores mais influenciados por nós? A publicidade invadiu com força as novelas, para vender de tudo, de automóvel a margarina. A audiência, por isso, não pode cair e nem ser desagradada. E as histórias ficam sem graça. Caretas e sem sal.
O anticlímax de Paraíso Tropical não foi o primeiro. Celebridade, de novo de Gilberto Braga, revelou no último capítulo que Laura (Cláudia Abreu) era a assassina de Lineu (Hugo Carvana). A bandidona era a culpada. O óbvio mais uma vez. O autor, para piorar, praticamente repetiu no capítulo final de ontem o desfecho de sua novela anterior, com um duplo assassinato (veja vídeo ao lado).
Gilberto Braga foi o responsável por dois dos piores finais de novela dos últimos tempos. Finais parecidos, quase idênticos. Personagens com perfis semelhantes, como Fernando Amorim (Marcos Palmeira), de Celebridade, e Daniel Bastos (Fábio Assunção), de Paraíso Tropical. Mas Braga não está sozinho. Nestes tempos de internet 2.0 e comunicação instantânea, parece que novelas viraram artigos do passado. Se o modelo não for modernizado, poderá virar peça do museu da TV em alguns anos.
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Eu botava fé que ele nao ia fazer a mesma bobagem que fez em Celebridade, mas nao teve jeito. Acho que o final foi um pouco melhor, mas apenas isso. Uma pena.
O lineu era o hugo carvana.
quando eu vi nem acreditei,seria melhor se eu tivesse bebido um chá gelado meio quente mais pra morno mágico e voltado no tempo pra assistir celebridade de novo. ou melhor…daria na mesma.
Falou e disse… achei mega sem graça esse final!
Abraços, Ju
Que novela é essa?
E acabou?
ah
rô, não acho que ficamos caretas… acho que ficamos preguiçosos e acomodados.
é muito mais fácil prever uma coisa óbvia!
Realmente horrível…
Em Celebridade ao menos existiam outros culpados que também faziam parte do núcleo “mal” da novela! Já em Paraíso Tropical todos eram “bonzinhos”, só o Olavo era “ruim” na lista de suspeitos. Final muito previsível! E não axo que nós estajamos mais caretas, mas, sim os autores qie estão muito sem criatividade…
acho que o final desta novela (e de qualquer outra também) deveria merecer, nó máximo, um lugar no “e eu com isso?”.
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