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Filho

Menino pobre, o órfão autodidata cresceu, virou político. Corrupto, enriqueceu. Aos 40, foi atrás da mãe. Só sabia uma coisa: fora prostituta.

Autor: Victor Martins, jurado da 2ª edição do Concurso do Miniconto.

Quer um blog de sucesso? Aprenda a carregar malas

Conhecer pessoas legais é uma parte bacana de se fazer um blog que tenha algum sucesso ou seja visitado por mais de 25 pessoas por dia. Descobrir que pessoas que você jamais viu entram em um endereço porque gostam das bobagens que você escreve dá uma alegria tremenda.

Mas há o outro lado da moeda. Um deles, já contei aqui, é o sacrifício necessário para aumentar a audiência e conseguir uns reais a mais no orçamento. O outro são as malas. Malas são aquelas pessoas que recebem este apelido porque são tão chatas quanto (ah, vá!) carregar malas. E carregar malas é o preço que cobra o crescimento de um blog.

Mala O primeiro tipo são as malas mal educadas. O sujeito acessa o Google, digita um termo qualquer (uma putaria qualquer) e chega ao blog. Não entende quase nada, mas, adestrado que é, consegue deixar um comentário com meia dúzia de termos que deixariam vovó corada. E com vários erros de português. Ele nunca mais volta, mas fica feliz ao falar seus palavrões.

O segundo tipo são as malas revisoras. Qualquer um erra. E quando se tem um blog, abre-se uma vitrine. E qualquer um pode ler esta vitrine. É ótimo quando erros são apontados, não é bom deixá-los perpetuados. Mas as malas revisoras mostram inequívoco tesão ao encontrar um erro de qualquer natureza. É um cyberfetiche. Normalmente são pessoas que nunca deixam comentários, em post nenhum. Mas quando encontram um erro sentem indescritível prazer. Correm aos comentários e destilam tremenda ironia. Nunca mais deixarão comentários, porque ali naquele endereço já cumpriram seu objetivo.

Os dois tipos têm uma grande diferença. As malas mal educadas são anônimas. Deixam e-mails e nomes falsos, embora possam ser identificadas pelo iP. Porém, as malas revisoras mostram a cara. Deixam nome e e-mail. Os dois têm em comum o fato de normalmente não ter blogs. Ou de já terem abandonados seus endereços.

Lidar com gente mal educada e irônica é a parte ruim de ter um blog. Felizmente é sempre a menor parte dos visitantes. Se você quer fazer do seu blog um endereço para mais de 25 pessoas por dia, prepare-se. Quanto mais visitantes, mais malas você vai ter de carregar.

A Luz

Pensou em desistir. Tentou o fim, sem sucesso. Logo depois, viu a luz no fim do túnel. Falta descobrir se é a saída ou um trem.

Autor: Ale Rocha, jurado da 2ª edição do Concurso do Miniconto.

Omo: qual é o sabão em pó para cada tipo de roupa?

Omo

Comprar sabão em pó. Fácil? Sabão em pó é um produto que parece um, mas quando você se aproxima percebe que não é. Há supermercados, hipermercados ou ultrahipersupermercados que já dedicam 100 metros de prateleiras ao Omo. Aquele que tem o branco que a sua família merece.

Mas qual é o branco que a sua família merece? Deve ser uma pegadinha. São 481 tipos de Omo. Omo Progress Total. Omo Baby. Omo Multiação Active Clean. Omo Toque de Comfort Classic. Omo Toque de Comfort Lilás. Omo Toque de Comfort Aloe Vera. Omo que tira mancha de suco de tomate sem sal. Omo que tira mancha de suco de tomate com sal.

Onde foi parar o Omo-Omo? Aquele Omo que é apenas Omo, azul, que faz espuma pra cacete. Sem aloe vera, sem aloe cristina. Só sabão pra lavar a roupa. Perguntei à moça de verde, que parecia um musgo, mas trabalhava no mercado. “Se quero lavar roupas coloridas de bebê e quero que ela fique macia, devo usar o Baby, o Progress ou o Comfort?”. Seis segundos depois, procurava o Ctrl + Alt +Del, ela disse que todos são ótimos.

Se todos são ótimos, por que não existe apenas um? Eu só quero um Omo. Azul, sem nomes frescos. Daqueles que em época de Copa do Mundo têm curiosidades no verso da embalagem. Omo, que saudade de você.




Acha que a senhorita aí precisou escolher entre 31 nomes para retirar até o sujinho impertinente que se adere a colarinhos e punhos das camisas?

Largo do Arouche é a melhor parte da Virada Cultural

Se você estará em São Paulo dias 26 e 27 e não tem dinheiro ou não sabe o que fazer, o Largo do Arouche é seu lugar. Lá estará o melhor palco da Virada Cultural, evento anual com atrações por toda a cidade.

O Estado de Circo indica os shows de Nelson Ned, às 19h, de Maria Alcina, às 3h, e de Miele, às 15h de domingo.

Miele. Desculpe a ignorância, eu nem sabia que ele cantava. Para mim era só aquele cara que vive bebendo uísque e mandava garotas identificadas por frutas mostrarem o peito em um programa trash do SBT. Mas que, no fim dos anos 80, todo mundo assistia. Eu, pelo menos, assistia.

Presidente da FIA faz pedido a Michael Schumacher

Max Mosley e Michael Schumacher

Se não entendeu, clique aqui para conhecer a história.

Traído pelo álcool

Chegou em casa bêbado, viu o vizinho na cama, matou-o. Procurando a mulher pela casa, notou que estava no apartamento errado. Álcool mata.

Autor: Clébio Bahia de Vasconcelos. Nota 3,3 no 2º Concurso do Miniconto

Manequins de loja: quem são estes seres sorridentes?

Não sei se notaram, mas de uns tempos pra cá há algo assustador em um monte de vitrines. Aqueles clássicos manequins brancos, sem um rosto definido ou expressão, estão dando lugar a uma gente alegre e colorida.

De quem foi a idéia de fazer manequins com olhos, nariz, boca e cabelos pintados? Um gibi vestiu as roupas da loja e foi fazer pose. Um mangá.

Eu gostava dos manequins antigos. Alguns nem braços tinham, pareciam estátuas gregas. Se vai exibir uma regata, pra que braços? Outros não tinham cabeça. Algo minimalista, mas funcionava. Não tinham expressão e não intimidavam. Eu fico intimidado com estes manequins novos. Eles vivem num universo paralelo de cor e magia, talvez em uma rave com músicas que só manequins podem ouvir.

E você lá, olhando. Eles lêem a mente de todos nós. Sabem o que pensamos, o que fizemos na noite passada. E continuam calados em seus cabelos azuis e olhos de mangá. Eu tenho medo de manequins modernos.

Crédito da foto

Inimigos

Cheio de inimigos, sentia-se solitário e desejava ter amigos. Sorria para todos; todos o ignoravam. Desesperado, vendeu a alma. Ganhou outro inimigo.

Autor: Hugo Becker. Nota 3,5 no 2º Concurso do Miniconto

Rebelde é ruim. Adivinhe o que é bom

Reproduzo comentário deixado há pouco neste blog.

é muito ridiculo (sic) e idiotisse (sic) gostar de rebelde, até o nome é podre!! eu adoro só o hsm (High School Musical) e nxzero

Bem, creio que não há necessidade de comentários.

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