24 Horas (2001-2010)

Publicado por Rodrigo Borges em 26 de March de 2010

Naquele ano de 2002 eu não dava a mínima para séries americanas. Mas, de alguma forma, um dia liguei a TV e me permiti ver por 5 minutos um sujeito loiro e com cabelo pintado de mais loiro ainda. Reconhecia o ator, e ali fui apresentado ao personagem. Seu nome era Jack Bauer.

Eu conheci 24 Horas depois do Jornal da Globo, com (boa) dublagem. E hoje, neste 26 de março de 2010, Jon Cassar, ex-produtor da série, anunciou o fim. Encerrada a oitava temporada, estará encerrado também o seriado. Não vamos ter mais Jack Bauer a nos defender, a defender o povo americano e o senhor (ou senhora) presidente.

Não foi uma surpresa. No ano passado, e mais recentemente no dia 15 de março, o brother Ale Rocha já avisava que o cancelamento era iminente. Bauer respirava por aparelhos por causa dos altos custos de produção e da audiência em queda – 24 Horas começou logo depois dos ataques de 11 de Setembro. Hoje, os métodos do agente interpretado por Kiefer Sutherland já não são tão bem vistos na “América”. É provável que ainda seja rodado um longa sobre a série. Mais provável ainda que Jack morra diante de nós, no cinema. Mas, na TV, acabou.

Graças a 24 Horas, que me mantive fiel ao ver dublado mesmo em DVD, conheci um novo mundo. Foi por ele que me permiti olhar para séries americanas e ver como elas podem ser bacanas. Me apaixonei por Lost, House, Family Guy, Californication e The Tudors. Vi tudo de Friends e Roma. Tenho em casa The Office, Fringe, Dexter e The Mentalist. E uma lista quase infinita do que quero ainda assistir e do que os amigos dizem que eu preciso assistir.

Graças a 24 Horas, presenciei um marco na história da televisão, uma série com ação em tempo real. Graças a 24 Horas acrescentei Elisha Cuthbert e Mary Lynn Rajskub ao seleto grupo de musas da minha vida. Nos últimos anos fiquei com a respiração presa incontáveis vezes, coração disparou e, sim, derramei algumas lágrimas. Quando tinha todos os capítulos em mãos, sumia do mundo por 2 ou 3 dias. Almoçava, comia e dormia 24 Horas.

E acabou. Quem é fã de Jack Bauer entenderá. De repente é como se eu olhasse para o relógio e os segundos corressem de forma silenciosa. Nenhum som. É o fim.

Jack Bauer



O último show do a-ha e o adeus à adolescência

Publicado por Rodrigo Borges em 11 de March de 2010

a-ha, São Paulo 2010

Eu tinha 12 anos e queria ir ao Rock in Rio. Não, na verdade eu tinha uns 9 anos, mas achava que tinha 12. Vê se pode, uma criança querendo ir de ônibus para o Rio.

Eram 9 da noite e autora da frase estava a 1 metro de mim, conversava com uma amiga e tinha o mesmo destino que eu: um show do A-Ha. Não qualquer show, mas o último show que o trio norueguês faria em São Paulo, já que a banda está fazendo sua turnê de despedida. Pelo menos é que dizem Morten Harket, Magne Furuholmen e Paul Waaktaar-Savoy.

A música mais nova do A-Ha que eu tinha na memória era “Move to Memphis”, de 1993. Vaga lembrança do clipe. Lá estávamos, a maioria de nós, para ouvir “Hunting High and Low”, “Take on Me”, “Cry Wolf”, “Stay on These Roads”, “The Living Daylights” e “Crying in the Rain”. Eu, e tantos outros, estávamos ali para nos despedir da adolescência.

O fim do A-Ha de certa forma torna oficial o fim da minha adolescência. Cada uma das seis músicas me remete a uma situação ainda clara, ainda que minha adolescência tenha ficado uns 15 anos para trás. Minha geração já faz dancinhas constrangedoras – eu não faço! – e já somos tiozinhos para quem lota o mesmo Credicard Hall para ver Fresno ou algum similar nacional ou gringo. Mas o A-Ha nos carregou de volta ao fim dos anos 80, ao início da década de 90.

O show foi fraco, eu sei. Uma banda que não soube aproveitar uma plateia que estava doida para se entregar. Um monte de músicas que boa parte daquelas milhares de pessoas não conhecia tomaram conta dos primeiros dois terços da apresentação de pouco menos de duas horas. Mas e daí? Estávamos lá para dizer adeus ao A-Ha, e tanto faz se hoje eles são incapazes de fazer um grande show.

Esperamos pacientemente até “Take on Me”, a última música do show. Lembramos, todos ou quase todos, do que significavam aquelas músicas. Houve quem chorasse. E eu entendo o motivo. Aquela, afinal, era uma página sendo virada nas nossas vidas.



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