A história de uma cama que encolheu

Publicado por Rodrigo Borges em 29 de junho de 2009

Em que momento a cama ficou pequena? Não sei. A gente nunca sabe. Quando coloco a cabeça no travesseiro, seu cheiro está lá. O lençol está quente, faz pouco tempo que você se levantou, mas a cama ficou pequena. Ontem, nossa cama de solteiro era uma king size. Hoje, nossa king size é uma cama de solteiro.

Foram muitos furacões juntos. Passamos juntos por eles. Mas eu, tão bom na argumentação, me senti mudo quando ouvi sua pergunta sobre a cama. Quantas linhas vou precisar para chegar ao óbvio? Para dizer que não sei o motivo.

As suas lembranças estão no meu entorno. Teu gosto ainda está na minha boca. Teu calor na minha cama, mas a minha cama ficou pequena. E eu nem sei dizer porque é que isso aconteceu. Por que somos diferentes? Por que temos sonhos diferentes? Ou porque sou de libra e, você, capricorniana?

É neste momento em que a gente se olha e, sem dizer uma palavra, decide o que fazer. O momento em que todos fazem silêncio e os dois caubóis aproximam as mãos de suas armas. Aquela hora em que se faz suspense sobre quem vai morrer no duelo que parou a cidade. Nosso duelo não parou a cidade, porque não é um duelo. É a vida.

Mas a vida continua, e nós também. Sem comentar uma palavra, sem transformar uma história numa novela das 8. Sem Twitter, sem Orkut, sem vouyers. Somos nós e nossa cama. Que está pequena. Precisamos comprar uma cama nova.

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11 palhaçadas

  1. Chicao comentou:

    Nem mesmo um grande comentador como eu sabe como comentar isso. Mas que ficou bonito, ah ficou!

    29 de junho de 2009
  2. Luis comentou:

    Simples. Ousado. Surreal.

    29 de junho de 2009
  3. Alexandre Santiago comentou:

    Disse tudo, mas eu entendi NADA!

    29 de junho de 2009
  4. Eder comentou:

    Só não compra na Marabraz. Péssima qualidade. E nem na Magazine Luiza, muitos juros.

    29 de junho de 2009
  5. Ana Carolina comentou:

    Mas vc é virginiano… rs

    Belo texto.

    30 de junho de 2009
  6. Adriano Silva comentou:

    Meio “crônica do cotidiano”, meio poesia. E sem ressentimentos. Tem o maior jeitão de música do Chico Buarque!

    2 de julho de 2009
  7. Rodrigo Borges comentou:

    Adriano, não que eu ouça muito as músicas do Chico, mas foi um dos elogios mais incríveis que já recebi. Não mereço, rapaz.

    4 de julho de 2009
  8. Viviane comentou:

    Eu gostava muito qdo vc escrevia textos assim. Aí um dia vc parou, sabe se lá o pq. Talvez falta de inspiração, ou pq não tinha o perfil do blog. Enfim, este ficou com cara do saudoso Algo sobre tudo. Espero que não tarde a ter outro deste estilo =0)

    5 de julho de 2009
  9. Ana Carolina comentou:

    Pois é Viviane… e ele apagou todos aqueles arquivos.
    Se bobear acho q sei de cor o “Primeiro Beijo”… foi por causa de textos assim q fiquei fã deste palhaço.

    6 de julho de 2009
  10. Mari do Brasil comentou:

    Que paulada amigo. A minha ficou pequena também, cara. E acabei dando. To sem cama ainda. Sugestões ao meu email serão bem-vindas

    28 de outubro de 2009
  11. Mari do Brasil comentou:

    Ah, a música do Chico…bem poderia ser aquela: ah, se já perdemos a noção da hora, se junto já jogamos tudo fora, me diz agora como hei de seguir?

    28 de outubro de 2009

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