O último show do a-ha e o adeus à adolescência

Publicado por Rodrigo Borges em 11 de March de 2010

a-ha, São Paulo 2010

Eu tinha 12 anos e queria ir ao Rock in Rio. Não, na verdade eu tinha uns 9 anos, mas achava que tinha 12. Vê se pode, uma criança querendo ir de ônibus para o Rio.

Eram 9 da noite e autora da frase estava a 1 metro de mim, conversava com uma amiga e tinha o mesmo destino que eu: um show do A-Ha. Não qualquer show, mas o último show que o trio norueguês faria em São Paulo, já que a banda está fazendo sua turnê de despedida. Pelo menos é que dizem Morten Harket, Magne Furuholmen e Paul Waaktaar-Savoy.

A música mais nova do A-Ha que eu tinha na memória era “Move to Memphis”, de 1993. Vaga lembrança do clipe. Lá estávamos, a maioria de nós, para ouvir “Hunting High and Low”, “Take on Me”, “Cry Wolf”, “Stay on These Roads”, “The Living Daylights” e “Crying in the Rain”. Eu, e tantos outros, estávamos ali para nos despedir da adolescência.

O fim do A-Ha de certa forma torna oficial o fim da minha adolescência. Cada uma das seis músicas me remete a uma situação ainda clara, ainda que minha adolescência tenha ficado uns 15 anos para trás. Minha geração já faz dancinhas constrangedoras – eu não faço! – e já somos tiozinhos para quem lota o mesmo Credicard Hall para ver Fresno ou algum similar nacional ou gringo. Mas o A-Ha nos carregou de volta ao fim dos anos 80, ao início da década de 90.

O show foi fraco, eu sei. Uma banda que não soube aproveitar uma plateia que estava doida para se entregar. Um monte de músicas que boa parte daquelas milhares de pessoas não conhecia tomaram conta dos primeiros dois terços da apresentação de pouco menos de duas horas. Mas e daí? Estávamos lá para dizer adeus ao A-Ha, e tanto faz se hoje eles são incapazes de fazer um grande show.

Esperamos pacientemente até “Take on Me”, a última música do show. Lembramos, todos ou quase todos, do que significavam aquelas músicas. Houve quem chorasse. E eu entendo o motivo. Aquela, afinal, era uma página sendo virada nas nossas vidas.

Receba mais notícias por e-mail

7 palhaçadas

  1. Luis comentou:

    É uma pena que hoje em dia não se escute a-ha, Duran Duran, Bronski Beat, The Cars, Depeche Mode, New Order e outras coisas legais dos anos 80 nas auto-intituladas “rádios jovens”. E é uma pena que os jovens se confinem apenas às músicas que tocam em tais estações, tendo preconceito contra todas as outras por serem “velhas”. Ah, se eles conhecessem!…

    11 de March de 2010
  2. eder comentou:

    Tom melancólico teve o texto. Mas acho que tudo que envolve nossa adolescência ganha contornos melancólicos. Não que seja necessariamente ruim.

    E, Rodrigo, não teve “You Are the One” no setlist?

    11 de March de 2010
  3. Ale Rocha comentou:

    Ainda vou entender qual é a do a-ha e de outras bandas gringas que insistem em passar por aqui e despejar novas músicas. Ok, entendo as decisões artísticas, mas caiam na real: ninguém está ali para ouvir mais do que uma ou duas músicas do último trabalho.

    Excelentes fotos e vídeo!

    11 de March de 2010
  4. Pablo comentou:

    Marcaram minha infância. Deixarão saudades…

    14 de March de 2010
  5. zinho comentou:

    Caramba vc falou tudo o que eu sinto, sou bahiano e fui ao show em sampa e sentir justamente isso, a minha adolecância, terminara alí, naquele momento, foi eu e meu irmão, foi um show inesquecível, tenho guardado as filmagens que será um arquivo da minha vida, guardarei para mostrar ao meu filho quando ele estiver jovem…

    16 de March de 2010
  6. Chicao comentou:

    Foi a primeira banda que gostei, sem brincadeira. Eu tinha 7, 8 anos. Tem seu lugar na história, sem dúvida.

    17 de March de 2010
  7. celso augusto comentou:

    quando fui ao show deles no ano passado, tive exatamente a mesma sensação nostálgica/melancólica/alegre. eu, os marmanjos paqueradores e as dezenas de “senhoras” que, por 2 horas, se tornaram adolescentes estéricas novamente. um clima revival total. um dos shows mais decepcionantes da minha vida, em termos musicais. mas um dos mais vibrantes no que diz respeito às emoções, lembranças e sensações que vinham com cada música. vi o simply red (musicalmente melhor que o a-ha, mas ainda um pouco decepcionante), o pet shop boys (tvz eu fosse o único hétero na platéia) e o new order (mto bom!), perdi o duran duran (espero que eu tenha uma segunda chance como vc teve com o a-ha) e espero ainda poder ver o tears for fears e o simple minds – e mais outras “tosquices bacanas” que os anos 80 produziram!!!

    18 de March de 2010

Deixe sua palhaçada

Os comentários são moderados e poderão ser excluídos caso sejam anônimos, considerados inadequados, sem sentido, ofensivos, escritos em maiúsculas ou alheios ao conteúdo do post e ao objetivo do Estado de Circo. As mensagens publicadas pelo sistema de comentários não refletem a opinião do blog ou de seu editor. Todos os comentários publicados no blog são de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores. O Estado de Circo não se responsabiliza por quaisquer danos decorrentes do uso deste serviço.

O sistema de comentários do Estado de Circo utiliza o Gravatar para exibir sua imagem.

2006 - 2009 Estado de Circo. Alguns direitos reservados. Política de privacidade.