Eu vivi uma experiência de pós-morte. Um daqueles eventos que você sabe que existem, mas que só é capaz de descreve-los quando passa por eles. Pós-morte é aquela situação em que o sujeito vê a famosa luz branca, conversa e dá uma canja com Jimi Hendrix, fala de paz com Ghandi e John Lennon, veste aquela batinha branca da eternidade e Puf! Volta para a Terra. E tenta explicar aos outros vivos o que se passou durante a sua morte. Um show de Roberto Carlos é como experiência pós-morte.
Roberto Carlos é daquelas pessoas que não parecem reais. Como Silvio Santos. Sempre achei que o Rei é como peru de Natal, que só existe em fim de ano. Mas Roberto Carlos existe e eu estava lá. Eu ouvi “que prazer rever vocês” depois da introdução de “Emoções”. Olhei, de queixo caído, mulheres recatadas de 20 a 80 anos gritarem pra ser a amada amante daquele homem de 68. E vi o Rei beijar 12 dúzias de rosas, brancas e vermelhas, e entregar a mulheres que disputavam uma luta de vale-tudo à beira do palco ao som dos acordes finais de “Jesus Cristo”.
Descobri que sabia cantar inteiras umas 15 das quase 20 músicas do show. E isso não incluia apenas as conhecidas “Detalhes”, “Outra Vez” e “Caminhoneiro”. Me emocionei, de forma absolutamente inesperada, com “Nossa Senhora”. Nossa Senhora, eu não esperava por isso.
Quando eu tinha menos de 20 anos, detestava Roberto Carlos e sua música, que eu, raso feito pires, classificava como brega. Bom era o Sepultura. Roberto Carlos é cafona do alto de suas manias, seus ternos e calças sempre iguais e seu bizarro corte de cabelo. Dane-se. Roberto Carlos é o Rei. Sabe falar de mulheres, sabe amar uma mulher. Sabe fazer uma música e, acima de tudo, sabe de seu papel como ídolo. Nos trata, cada um de nós, como o mais especial dos fãs.
Roberto Carlos é um cara com quem eu gostaria de bater um papo num fim de tarde de domingo. Para poder perguntar por que cazzo não tocou “Amigo”. Tudo bem, nada que vá abalar a nossa amizade. Afinal, sou súdito sem sangue azul.
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Preciso confessar que já gostei mais de Roberto Carlos. Mas sem dúvida ele é o cara. Nunca ninguém melhor se expressou ou soube como falar de sacanagem numa música e ainda ser o que toda mulher queria. Não a toa. Pobre de nós meros mortais. Fico feliz pela sua experiência pós-morte, com certeza deve ter voltado diferente.
24 de August de 2009Abraço.
Nunca entendi porque o Roberto Carlos não se tornou um Júlio Iglesias – no melhor sentido da comparação. Tinha tudo para sê-lo, mas não foi. É uma referência indiscutível na nossa música, muito embora eu prefira a sua fase até os anos 80. Quando começaram as séries profissões e biotipos (caminhoneiro, taxista, gordinha, baixinha, mulher de 40…), pulei fora.
24 de August de 2009Concordo, Roberto Carlos é rei! É rei porque consegue emocionar a vc, a mim, a todo mundo, independente de do sexo, idade, classe social, gosto musical. O cara é feio, esquisito e nem é a voz mais linda do mundo. Mas tem carisma. É um grande artista.
24 de August de 2009Na minha opinião, o Roberto Carlos é mais Rei que o Pelé. Isso diz tudo.
24 de August de 2009Lembro-me de uma vez em que eu estava conversando com uma amiga argentina, citei Roberto Carlos e ela cantarolou imediatamente “un millón de amigos”. A menina tem a minha idade, o que me faz pensar que o Robertão é bastante conhecido na América Latina, por pessoas de todas as idades, como no Brasil, mas sem a idolatria que existe por aqui.
Eu gosto do Robertão, mas acho que sua obra crescerá muito em valor e importância (se é que isso é possível, se tornar ainda mais importante) após a experiência pós-morte. Dele, claro.
24 de August de 2009Robertão é incomparável. Mas eu acho que a fase recente dele muito fraca, se comparar com os anos 70. Rapaz, tenho umas histórias de fossa e pé na bunda embaladas com o disco de 77 que são de chutar o balde…
Ah sim, inveja.
24 de August de 2009Isso é mesmo incrível.
Ele segue ali nos emocionando mesmo com a repetição do “Que prazer rever vocês!” e todo o resto…
Muito bom o texto, Rodrigo!
Um abraço.
24 de August de 2009Eu gosto do Robertão… adoro suas músicas… exceto as sensuais-bregas. Pior é q não… até de músicas como Cavalgada eu gosto.
25 de August de 2009Mas há 10 anos atrás tb o achava brega, Ro…
Gosto do Roberto Carlos até as músicas dos anos 80… Depois eu não gosto. Gostei do post. Pelo que leio de vc nunca ia imaginar vc se emocionando com a música nossa sra senhora… rs
26 de August de 2009Eu ouço RC desde pequena. Minha mãe sempre foi muito fã. Eu não entendia muito, até mesmo pq muitos dos sentimentos que ele cantava eu sequer conhecia. No sábado eu descobri pelo menos uns 50 motivos para, no mínimo, admirar muito o trabalho dele. Enquanto mamãe, na maior classe, batia palminhas e cantava, eu me peguei quase chorando ao ouvir “Outra vez”.
26 de August de 2009Não gosto e te juro, já ouvi várias vezes para tentar entender porque tanta gente gosta.
26 de August de 2009Ah, foi de brincadeira seu comentário no meu blog, né? O seu que merece elogio. Não quero pagar de tiete, sério, mas é fato que é quase impossível rir de verdade com textos em blogs. O seu é uma dessas exceções. Palmas, especialmente, pro post mais recente sobre a hora de passar no caixa. Difícil não se identificar.
27 de August de 2009A gente vai ficando mais velho e vai ficando mais chato. Aliás, chato, não: criterioso, começamos a dar valor para algumas coisas que a molecada não consegue ver.
27 de August de 2009Confesso que não tenho o menor interesse no “Rei”, mas fiquei comovido com seu depoimento.
Roberto é “único”, “exclusivo” e “especial”….Isso diz “quase” tudo do nosso Rei.
31 de August de 2009Já tenho 51 anos e passei por aquela fase “esquerdista de bom gosto que odeia RC”, mas ainda assim conservava grande simpatia pela fase jovem guarda, vivi muito aquilo…
31 de August de 2009Aí um dia a turma brock/mpb dos 80 resolveu lanças um disco em homenagem ao cara, o disco – “Rei” – me fez retomar tudo aquilo e ouvir de novo RC com gosto.
Há pouco tempo atrás me peguei assustado pelo simpatia que tenho por Roberto Carlos, várias de suas músicas antigas me remetem à infância e várias de suas musicas pós-jg me deixam eomocionado!
Aliás, no show qua passou na TV outro dia, absolutamente emocionado, chorei pra cacete!
Roberto Carlos sim é o Rei!!!
Sempre gostei do Roberto Carlos, pois meus pais são fãs, já fui em alguns shows com eles quando eu era criança. Assim como o Adriano Silva, não gosto da fase de biotipos, mas sei de cor a letra das outras músicas. Recentemente, estava na pista de uma danceteria da moda e o DJ mandou muito bem com uma seleção do Robertão em arranjos deliciosos. Me esbaldei – rs
3 de September de 2009Ah! Até hoje choro de emoção lembrando do show da 4Free quando vcs tocaram “Amigo” em homenagem ao Léo. Inesquecível.
vc ficou emocionado com Nossa Senhora? então tenho certeza de que estapeou umas três velhotas para pegar uma rosa!
21 de September de 2009também já fui em show (um só, uma pena) do rei. é demais
Sabe, gostei bastante do seu jeito de comentar esse que é um dos assuntos polêmicos no terrítório habitado pela chamada “elite pensante”.E principalmente da sua espontaneidade porque, claro, conheço um bocado de gente que torce o nariz pro Roberto Carlos. Torce e pronto. Algumas vezes me comovi até as lágrimas ouvindo muisicas dele, sim, admito. Cantadas por ele ou por outras pessoas, como a Elis Regina- outra que me fez gastar alguns metros de lenços de papel. Acho normal muita gente não apreciar e nem se emocionar ao ouvir suas canções. Agora questionar se ele é ou não rei.. Isso é fato, não há o que discutir na trajetória dele. Mas se até da identidade de Jesus duvidaram, que dirá um simples e mortal Rei do Ie-ie-iê.
28 de October de 2009